quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

De férias sim, longe de Deus nunca!


 

Ah! As férias chegaram. Que maravilha! Agora é só sombra e água fresca. Aproveitar para passear, sair com os amigos, ler um bom livro, ir ao cinema, só diversão, né?

Mas, espere aí. E a missa, a participação na comunidade, a meditação da Palavra, a reza do terço? Vou tirar férias também da minha vida de oração?

É claro que não!

Se temos a consciência de que nosso caminho de santidade é trilhado dia após dia, sabemos que perder um dia faz muita diferença.

Um dia sem fazer o bem, sem alegrar o dia de alguém, sem alimentar quem tem fome, sem vestir quem está nu, sem visitar o doente, ou seja, sem amar o próximo, nos distancia do projeto de vida eterna que o Senhor Jesus tem para cada um de nós.

Nossa intimidade com Deus alimentada pela oração coloca-nos diretamente na rota do encontro com o outro. É ao silenciar meu coração que me encontro comigo mesmo, com minhas alegrias e meus fantasmas, onde o Pai, ao fazer morada, vem me cuidar, orientar, conduzir nos discernimentos e na busca pelo sentido da vida, e também, onde me vejo a sair de mim para alcançar e fazer parte da vivência de outras pessoas.

Ao sair de férias, mudar sua rotina por algum tempo, procure viver novas experiências, lembre-se: você está tendo essas oportunidades porque alguém que o ama muito está lhe proporcionando isso. Então, não se esqueça de agradecê-lo, de honrá-lo, de comungá-lo e de retribuir a esse imenso amor.

Aproveite suas férias!

 

 

Irmã Suzane Marques, fsp

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Escolhas

 


Todo início de ano é a mesma coisa: fazemos planos que muitas vezes não vamos realizar. Quando passa a euforia das festas de final de ano, entramos novamente no piloto automático: trabalhamos cinco dias esperando o sábado e o domingo para “aproveitar a vida” e, na segunda-feira, tudo volta a se repetir).

Para tirar os objetivos do papel é necessário: disciplina, constância, motivação e, claro, ter presente o propósito do porquê se deseja aquilo.

Pode ser uma viagem, a busca por um novo emprego, o desejo de passar no vestibular, de emagrecer e, quem sabe, até se casar.

Mas, de fato, quanto do meu tempo, dinheiro, esforço pretendo dispor para que os desejos se realizem?

Nós somos o resultado das escolhas que fazemos. Então, discernir requer de nós reflexão, ponderar as possibilidades e direcionar quais serão os próximos passos. Passos esses dados a cada etapa alcançada.

O caminho, bem sabemos, pode nos apresentar frustrações, nos colocar cara a cara com o medo das mudanças, com resignificar rotas, contudo, trilharemos esse caminho sem deixar de lado nossos valores, em vista sempre de encontrar o sentido da vida.

Escolher ser feliz é o primeiro passo, já que pessoas felizes espalham felicidade, ficam com o coração em paz, são otimistas, não estagnam e são mola de propulsão para os outros.

Nós fazemos as escolhas e elas nos fazem, ou seja, demonstram quem somos.

 

 

Irmã Suzane Marques, fsp

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Celebrar e cultivar todas as vocações


A Igreja no Brasil nos dá a oportunidade, mais uma vez, de viver o Ano Vocacional. Pela terceira vez um ano inteiro para os cristãos se mobilizarem em torno das vocações. Podemos utilizar vários verbos para nos referir à proposta do ano: refletir, rezar, agir, envolver-se, enfim... Neste imenso e criativo Brasil, certamente não faltarão expressões para que este ano faça história. Escolhi partilhar algumas palavras a partir de dois verbos: celebrar e cultivar.

Celebrar é algo que nos marca profundamente. Celebra-se a vida ao nascer, ao completar aniversário, ao constituir família, ao fazer votos, ao morrer. Podemos passar diversas etapas da vida e todas estarão marcadas de um caráter celebrativo. Celebrar não é só uma dimensão constitutiva do rito, mas da vida. A nossa vida é uma grande celebração do Criador. É bom recordar o celebrar, para não corrermos o risco de reduzir a sua grandeza, nem objetificar algo tão nobre.

Celebrar todas as vocações, em suas distintas respostas, fortalecendo a consciência de que somos discípulos-missionários de Jesus Cristo, numa comunidade de fé. Aí resida uma das grandes belezas do cristianismo e que tocam diretamente a questão vocacional. Alerta-nos bem o texto-base do 3º Ano Vocacional, ao recordar a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, que sublinha “o caráter comunitário da vocação, pois uma vocação não é vivida de maneira isolada, afastada do mundo ou das pessoas” (n. 29). Se toda vocação é comunitária, é neste ambiente fecundo da comunidade que cada vocação deve ser celebrada, para florescer como dom ao Deus que chama.

Diretamente ligado ao primeiro verbo, conecto o cultivar, como a imagem da beleza daquilo que merece a atenção. Cultiva-se a terra para gerar o alimento, cultiva-se o cuidado da criança frágil, do enfermo e do idoso, cultiva-se os sentimentos bons no coração. Cultivar, muitas vezes, é associação àquilo que é feito com as mãos. E para bem celebrar a vocação é preciso colocá-la na palma da mão para ser ofertada generosamente.

Cultivar também remete à cultura, que está no objetivo geral do 3º Ano Vocacional: “promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus” (Texto-base, n. 3).

Novamente a Gaudium et Spes é invocada para entender que “pelo termo ‘cultura’, em sentido geral, indicam-se todas as coisas mediante as quais o homem aperfeiçoa e desenvolve as múltiplas qualidades da alma e do corpo” (Texto-base, n. 150). Aqui reside uma beleza do ano vocacional e, ao mesmo tempo, grande desafio: compreender que a cultura vocacional não é só para responder a uma vocação específica, seja do ministério ordenada ou da vida religiosa consagrada. O Ano Vocacional é a oportunidade de “primeirear”, como gosta de usar o Papa Francisco, para todos e todas se sentirem vocacionados e vocacionadas. Um caminho bonito para isso consiste na valorização do testemunho dos homens e mulheres que estão no seu cotidiano respondendo a este chamado com alegria. Em suas famílias, em seus ambientes de trabalho e estudo, no lazer, no sofrimento.

Não haverá celebração e cultivo, nem reconhecimento da vocação, sem a dócil ação do Espírito. Portanto, o primeiro passo é abrir o coração à Sua vontade para que Ele haja em nós e produza os frutos necessários. Encharcados por esta Graça, celebremos e cultivemos todas as vocações. Vamos juntos neste caminho?


Marcus Tullius[1]



[1] Coordenador-geral da Pascom Brasil, membro do Grupo de Reflexão sobre Comunicação da CNBB e da comissão de Comissão de Comunicação do Ano Vocacional. É mestrando em Comunicação Social pela PUC Minas, apresentador do programa Igreja Sinodal em emissoras de inspiração católica.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

História das Filhas de São Paulo

Tiago Alberione viu harmonizar, em Tecla Merlo, a suavidade com a decisão, a prudência com a fortaleza, o abandono com a iniciativa… tesouro para todas as filhas de São Paulo.




“Ele havia confidenciado e submetido a ideia de formar uma família religiosa feminina, ao lado da masculina, apenas iniciada. Algumas jovens boas lhe foram recomendadas, mas pouco conhecidas por ele, e não muito jovens. Ele percebeu logo que tanto para a primeira quanto para a segunda família, algumas pessoas que haviam ingressado não tinham vocação para uma verdadeira vida religiosa; no entanto, esta era a coisa mais essencial! A inteligência e o amor ao apostolado específico se formariam pouco a pouco, se houvesse docilidade à voz de Deus.

Essa preocupação durou vários meses… Então os clérigos do seminário e os cooperadores espirituais, celebraram o mês de maio, pedindo ao Senhor que provesse à família religiosa.

No final do mês foi-lhe dito: ‘Em Castagnito, d’Alba, há uma jovem de boa família, que, por piedade, inteligência, docilidade e bondade, faria isso muito bem…, mas tem duas dificuldades: escassa saúde, e ter frequentado apenas a escola local’. –‘Venha respondeu o Primeiro Mestre - o Senhor lhe dará suficiente saúde e a ciência necessária para seu ofício. Quando o Senhor quer…’.

 

Houve vários obstáculos, mas foram superados, especialmente com ajuda do então clérigo, e hoje pároco, cônego de Barolo, [Costanzo], irmão da jovem que agora é a Primeira Mestra das Filhas de São Paulo. As coisas aconteceram assim, de modo que se viu claramente a mão de Deus […]

A Família das Filhas de São Paulo teve, no início, muitas controvérsias… Mas tudo serviu para que ‘Teresa’, como todos a chamavam, tivesse o carinho das Filhas e estima geral: assim, quando aquelas sem verdadeira vocação religiosa se retiraram, foi anunciado às muitas jovens que haviam ingressado, que Teresa fora eleita superiora e o assentimento foi total.

O seu progresso na piedade, vida religiosa, docilidade, amor ao Instituto, ao apostolado e às pessoas foi sempre crescendo. O trabalho que ela devia fazer seria hoje excessivo até para uma pessoa fisicamente robusta: tudo dom de Deus […]

As Filhas de São Paulo têm nela dúplice livro: primeiro, o de sua vida cotidiana exemplar; segundo, um livro de papel, no qual se podem recolher  suas contínuas e práticas conferência às irmãs, os inúmeros avisos gerais e particulares, escritos publicados na circular ‘Regina Apostolorum’, etc. Recolhendo tudo, pode-se fazer um volumoso e bom livro que seria um tesouro, agora e no futuro, paras todas as Filhas de São Paulo.” 

 

Comissão de Espiritualidade e Formação Contínua das Filhas de São Paulo 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Irmãs Paulinas, 91 anos de presença evangelizadora no Brasil

A Congregação das Irmãs Paulinas nasceu na Itália, em 1915, mas o espírito missionário a impulsionou para além-fronteiras. O primeiro país a ser escolhido para receber as Irmãs foi o Brasil. Assim, Padre Tiago Alberione, fundador da Congregação, enviou duas jovens irmãs para o Brasil: Irmã Dolores Baldi, em 21 de outubro de 1931, que desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo, foi a pioneira a deixar a Itália como missionária além-fronteiras, e dois meses depois Irmã Stefanina Cillario, em 28 de dezembro do mesmo ano.




Duas irmãs italianas jovens, que deixaram o seu país, atravessaram o continente e chegaram ao Brasil, trazendo em suas malas: a alegria, o entusiasmo, a coragem, a fé e, principalmente, o amor pela vocação e missão paulina. Nos inícios da fundação, não foi nada fácil, pois para elas tudo era desconhecido: o idioma, a cultura e tantas outras características próprias do Brasil, mas isso não foi impedimento para as irmãs, pelo contrário, foi motivação e impulso para dedicar o tempo, as energias e a própria vida nesse país que, até então, era desconhecido, mas que com o passar do tempo, se tornou “sua” terra de missão.

Inicialmente, Ir. Dolores e Ir. Stefanina empenharam-se em visitas às famílias. De porta em porta elas ofereciam folhetos, Bíblia e outros livros. E assim, as Filhas de São Paulo tornaram conhecida a missão paulina. Carregando pesados pacotes, malas cheias de livros, debaixo de sol e chuva, às vezes, em meio a perigos, elas, com muita alegria, saíam para o apostolado da propaganda, como chamavam, e retornavam para suas comunidades com as malas vazias, porque não havia uma pessoa que não adquirisse um livro, e recebiam o folheto oferecido pelas irmãs. Foi assim que as primeiras irmãs iniciaram a missão. Não foi nada fácil, mas o desejo de tornar Jesus Mestre conhecido e amado por todos e o amor pelas famílias e pela missão as impulsionavam.

            Em 1934, as irmãs adquiriram uma antiga tipografia e começaram a fazer as primeiras impressões de livros e mensagens. Em 08 de dezembro de 1934, foi impresso o primeiro número da revista Família Cristã, e assim, a missão paulina começou a tomar corpo e a expandir-se no Brasil. Aos poucos, jovens brasileiras sentiram-se motivadas a assumir, também, esta missão.

No Brasil, nossa missão iniciou do nada, dizia Ir. Dolores. Mas a fé na bondade e providência de Deus, a dedicação incansável e a criatividade de todas as irmãs, desde os inícios, fizeram frutificar a missão paulina e hoje estamos comemorando 91 anos de presença Paulina neste país.

Hoje, somos as continuadoras dessa linda missão, iniciada por irmãs que, para nós, representam coragem, confiança na Providência de Deus, criatividade e resiliência. A expansão da nossa missão em quase todos os Estados brasileiros e a credibilidade da nossa missão deve-se ao empenho dessas pioneiras, e também de muitas outras irmãs, colaboradores, cooperadores que continuamente assumem conosco, com coragem, fé, entusiasmo, criatividade e ousadia, a missão paulina de Viver e Comunicar Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida na cultura da comunicação.

Obrigada Ir. Dolores e Ir. Stefanina pelo pioneirismo de vocês no Brasil. Graças à coragem e ousadia de vocês, nesse mês de outubro, estamos comemorando 91 anos de presença evangelizadora no Brasil. Continuem intercedendo pela nossa missão espalhada por todo o Brasil, e principalmente pelas vocações, para que as jovens, ao sentirem o chamado de Deus em seu coração, tenham coragem de responder sim e com alegria consagrarem suas vidas nesse nobre apostolado da comunicação.

                                                                                             

Ir. Sheila Silva Araújo, fsp