quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

A caminho da Primeira Profissão Religiosa

    Quando ingressamos numa Congregação Religiosa, é comum ouvir das pessoas a seguinte pergunta: “E então, agora você já é freira?” Para responder a este questionamento, geralmente é preciso explicar o processo formativo que vivemos até chegar à tão sonhada Profissão Religiosa, onde fazemos os votos e firmamos nosso desejo de sermos pessoas consagradas a Deus.

    É possível que situações como esta aconteçam devido ao fato de nossa formação religiosa ser desconhecida pela grande maioria das pessoas. Caso você que está lendo este texto se encontre nesse meio, aqui vão os nomes das etapas pelas quais passamos ao ingressar numa Congregação Religiosa como a das Irmãs Paulinas: Aspirantado, Postulado e Noviciado.

    Precisamos ressaltar que logo quando uma jovem faz contato com uma freira, manifestando o desejo de fazer um discernimento vocacional, ela não entrará logo de cara na Congregação. Primeiro fará um caminho para conhecer o nosso carisma e aprender mais sobre si mesma e suas motivações. E só será direcionada para viver a experiência do Aspirantado depois de trilhar este caminho.

     Após concluir as etapas do Aspirantado e Postulado é que, então, chegamos ao Noviciado e, por isso, somos chamadas “noviças”. Esta fase é uma das mais importantes em nossa vida, pois somos convidadas a viver uma experiência mais profunda com o Cristo que se faz pobre, casto e obediente. Assim, ao final desta etapa formativa, nos preparamos para fazer a nossa Primeira Profissão Religiosa, e é neste momento que nos encontramos.

      A expectativa por este acontecimento vem permeada de muitos sentimentos como a alegria, o medo, a ansiedade e, principalmente, a gratidão a Deus e às pessoas que Ele colocou em nosso caminho. À medida que os dias passam e se aproxima esta data (no nosso caso a nossa Primeira Profissão acontecerá no dia 12 de fevereiro), com frequência revivemos os momentos mais marcantes do caminho até aqui. É lindo perceber o quão Deus foi generoso em nossas vidas e como nos ajudou, acendendo as luzes ao longo do caminho.

   Só depois de viver tudo isso, é que pudemos perceber como o Senhor foi nos moldando através das experiências vividas dentro da vida comunitária, do cultivo da nossa espiritualidade paulina, dos estudos e de todos os demais aspectos da nossa missão. Ao nos encontrarmos nesta vocação, respondendo ao chamado que o Senhor nos faz, trazemos em nós, cada vez mais presente, a certeza de que “uma vocação acertada é sinal de uma vida feliz”.

    Por fim, gostaríamos de convidar a todos vocês para que celebrem conosco este momento tão especial acompanhando toda a Celebração através de nossos canais do Brasil (profissão da Taiane) e da Colômbia (profissão da Wendy) no Youtube.

    Aqui vai o convite para acompanhar a Primeira Profissão que acontecerá no Brasil:

 



 Nosso fraterno abraço,

Taiane Oliveira e Wendy Pinzón  

Noviças das Irmãs Paulinas 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

De férias sim, longe de Deus nunca!


 

Ah! As férias chegaram. Que maravilha! Agora é só sombra e água fresca. Aproveitar para passear, sair com os amigos, ler um bom livro, ir ao cinema, só diversão, né?

Mas, espere aí. E a missa, a participação na comunidade, a meditação da Palavra, a reza do terço? Vou tirar férias também da minha vida de oração?

É claro que não!

Se temos a consciência de que nosso caminho de santidade é trilhado dia após dia, sabemos que perder um dia faz muita diferença.

Um dia sem fazer o bem, sem alegrar o dia de alguém, sem alimentar quem tem fome, sem vestir quem está nu, sem visitar o doente, ou seja, sem amar o próximo, nos distancia do projeto de vida eterna que o Senhor Jesus tem para cada um de nós.

Nossa intimidade com Deus alimentada pela oração coloca-nos diretamente na rota do encontro com o outro. É ao silenciar meu coração que me encontro comigo mesmo, com minhas alegrias e meus fantasmas, onde o Pai, ao fazer morada, vem me cuidar, orientar, conduzir nos discernimentos e na busca pelo sentido da vida, e também, onde me vejo a sair de mim para alcançar e fazer parte da vivência de outras pessoas.

Ao sair de férias, mudar sua rotina por algum tempo, procure viver novas experiências, lembre-se: você está tendo essas oportunidades porque alguém que o ama muito está lhe proporcionando isso. Então, não se esqueça de agradecê-lo, de honrá-lo, de comungá-lo e de retribuir a esse imenso amor.

Aproveite suas férias!

 

 

Irmã Suzane Marques, fsp

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Escolhas

 


Todo início de ano é a mesma coisa: fazemos planos que muitas vezes não vamos realizar. Quando passa a euforia das festas de final de ano, entramos novamente no piloto automático: trabalhamos cinco dias esperando o sábado e o domingo para “aproveitar a vida” e, na segunda-feira, tudo volta a se repetir).

Para tirar os objetivos do papel é necessário: disciplina, constância, motivação e, claro, ter presente o propósito do porquê se deseja aquilo.

Pode ser uma viagem, a busca por um novo emprego, o desejo de passar no vestibular, de emagrecer e, quem sabe, até se casar.

Mas, de fato, quanto do meu tempo, dinheiro, esforço pretendo dispor para que os desejos se realizem?

Nós somos o resultado das escolhas que fazemos. Então, discernir requer de nós reflexão, ponderar as possibilidades e direcionar quais serão os próximos passos. Passos esses dados a cada etapa alcançada.

O caminho, bem sabemos, pode nos apresentar frustrações, nos colocar cara a cara com o medo das mudanças, com resignificar rotas, contudo, trilharemos esse caminho sem deixar de lado nossos valores, em vista sempre de encontrar o sentido da vida.

Escolher ser feliz é o primeiro passo, já que pessoas felizes espalham felicidade, ficam com o coração em paz, são otimistas, não estagnam e são mola de propulsão para os outros.

Nós fazemos as escolhas e elas nos fazem, ou seja, demonstram quem somos.

 

 

Irmã Suzane Marques, fsp

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Celebrar e cultivar todas as vocações


A Igreja no Brasil nos dá a oportunidade, mais uma vez, de viver o Ano Vocacional. Pela terceira vez um ano inteiro para os cristãos se mobilizarem em torno das vocações. Podemos utilizar vários verbos para nos referir à proposta do ano: refletir, rezar, agir, envolver-se, enfim... Neste imenso e criativo Brasil, certamente não faltarão expressões para que este ano faça história. Escolhi partilhar algumas palavras a partir de dois verbos: celebrar e cultivar.

Celebrar é algo que nos marca profundamente. Celebra-se a vida ao nascer, ao completar aniversário, ao constituir família, ao fazer votos, ao morrer. Podemos passar diversas etapas da vida e todas estarão marcadas de um caráter celebrativo. Celebrar não é só uma dimensão constitutiva do rito, mas da vida. A nossa vida é uma grande celebração do Criador. É bom recordar o celebrar, para não corrermos o risco de reduzir a sua grandeza, nem objetificar algo tão nobre.

Celebrar todas as vocações, em suas distintas respostas, fortalecendo a consciência de que somos discípulos-missionários de Jesus Cristo, numa comunidade de fé. Aí resida uma das grandes belezas do cristianismo e que tocam diretamente a questão vocacional. Alerta-nos bem o texto-base do 3º Ano Vocacional, ao recordar a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, que sublinha “o caráter comunitário da vocação, pois uma vocação não é vivida de maneira isolada, afastada do mundo ou das pessoas” (n. 29). Se toda vocação é comunitária, é neste ambiente fecundo da comunidade que cada vocação deve ser celebrada, para florescer como dom ao Deus que chama.

Diretamente ligado ao primeiro verbo, conecto o cultivar, como a imagem da beleza daquilo que merece a atenção. Cultiva-se a terra para gerar o alimento, cultiva-se o cuidado da criança frágil, do enfermo e do idoso, cultiva-se os sentimentos bons no coração. Cultivar, muitas vezes, é associação àquilo que é feito com as mãos. E para bem celebrar a vocação é preciso colocá-la na palma da mão para ser ofertada generosamente.

Cultivar também remete à cultura, que está no objetivo geral do 3º Ano Vocacional: “promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus” (Texto-base, n. 3).

Novamente a Gaudium et Spes é invocada para entender que “pelo termo ‘cultura’, em sentido geral, indicam-se todas as coisas mediante as quais o homem aperfeiçoa e desenvolve as múltiplas qualidades da alma e do corpo” (Texto-base, n. 150). Aqui reside uma beleza do ano vocacional e, ao mesmo tempo, grande desafio: compreender que a cultura vocacional não é só para responder a uma vocação específica, seja do ministério ordenada ou da vida religiosa consagrada. O Ano Vocacional é a oportunidade de “primeirear”, como gosta de usar o Papa Francisco, para todos e todas se sentirem vocacionados e vocacionadas. Um caminho bonito para isso consiste na valorização do testemunho dos homens e mulheres que estão no seu cotidiano respondendo a este chamado com alegria. Em suas famílias, em seus ambientes de trabalho e estudo, no lazer, no sofrimento.

Não haverá celebração e cultivo, nem reconhecimento da vocação, sem a dócil ação do Espírito. Portanto, o primeiro passo é abrir o coração à Sua vontade para que Ele haja em nós e produza os frutos necessários. Encharcados por esta Graça, celebremos e cultivemos todas as vocações. Vamos juntos neste caminho?


Marcus Tullius[1]



[1] Coordenador-geral da Pascom Brasil, membro do Grupo de Reflexão sobre Comunicação da CNBB e da comissão de Comissão de Comunicação do Ano Vocacional. É mestrando em Comunicação Social pela PUC Minas, apresentador do programa Igreja Sinodal em emissoras de inspiração católica.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

História das Filhas de São Paulo

Tiago Alberione viu harmonizar, em Tecla Merlo, a suavidade com a decisão, a prudência com a fortaleza, o abandono com a iniciativa… tesouro para todas as filhas de São Paulo.




“Ele havia confidenciado e submetido a ideia de formar uma família religiosa feminina, ao lado da masculina, apenas iniciada. Algumas jovens boas lhe foram recomendadas, mas pouco conhecidas por ele, e não muito jovens. Ele percebeu logo que tanto para a primeira quanto para a segunda família, algumas pessoas que haviam ingressado não tinham vocação para uma verdadeira vida religiosa; no entanto, esta era a coisa mais essencial! A inteligência e o amor ao apostolado específico se formariam pouco a pouco, se houvesse docilidade à voz de Deus.

Essa preocupação durou vários meses… Então os clérigos do seminário e os cooperadores espirituais, celebraram o mês de maio, pedindo ao Senhor que provesse à família religiosa.

No final do mês foi-lhe dito: ‘Em Castagnito, d’Alba, há uma jovem de boa família, que, por piedade, inteligência, docilidade e bondade, faria isso muito bem…, mas tem duas dificuldades: escassa saúde, e ter frequentado apenas a escola local’. –‘Venha respondeu o Primeiro Mestre - o Senhor lhe dará suficiente saúde e a ciência necessária para seu ofício. Quando o Senhor quer…’.

 

Houve vários obstáculos, mas foram superados, especialmente com ajuda do então clérigo, e hoje pároco, cônego de Barolo, [Costanzo], irmão da jovem que agora é a Primeira Mestra das Filhas de São Paulo. As coisas aconteceram assim, de modo que se viu claramente a mão de Deus […]

A Família das Filhas de São Paulo teve, no início, muitas controvérsias… Mas tudo serviu para que ‘Teresa’, como todos a chamavam, tivesse o carinho das Filhas e estima geral: assim, quando aquelas sem verdadeira vocação religiosa se retiraram, foi anunciado às muitas jovens que haviam ingressado, que Teresa fora eleita superiora e o assentimento foi total.

O seu progresso na piedade, vida religiosa, docilidade, amor ao Instituto, ao apostolado e às pessoas foi sempre crescendo. O trabalho que ela devia fazer seria hoje excessivo até para uma pessoa fisicamente robusta: tudo dom de Deus […]

As Filhas de São Paulo têm nela dúplice livro: primeiro, o de sua vida cotidiana exemplar; segundo, um livro de papel, no qual se podem recolher  suas contínuas e práticas conferência às irmãs, os inúmeros avisos gerais e particulares, escritos publicados na circular ‘Regina Apostolorum’, etc. Recolhendo tudo, pode-se fazer um volumoso e bom livro que seria um tesouro, agora e no futuro, paras todas as Filhas de São Paulo.” 

 

Comissão de Espiritualidade e Formação Contínua das Filhas de São Paulo 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Irmãs Paulinas, 91 anos de presença evangelizadora no Brasil

A Congregação das Irmãs Paulinas nasceu na Itália, em 1915, mas o espírito missionário a impulsionou para além-fronteiras. O primeiro país a ser escolhido para receber as Irmãs foi o Brasil. Assim, Padre Tiago Alberione, fundador da Congregação, enviou duas jovens irmãs para o Brasil: Irmã Dolores Baldi, em 21 de outubro de 1931, que desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo, foi a pioneira a deixar a Itália como missionária além-fronteiras, e dois meses depois Irmã Stefanina Cillario, em 28 de dezembro do mesmo ano.




Duas irmãs italianas jovens, que deixaram o seu país, atravessaram o continente e chegaram ao Brasil, trazendo em suas malas: a alegria, o entusiasmo, a coragem, a fé e, principalmente, o amor pela vocação e missão paulina. Nos inícios da fundação, não foi nada fácil, pois para elas tudo era desconhecido: o idioma, a cultura e tantas outras características próprias do Brasil, mas isso não foi impedimento para as irmãs, pelo contrário, foi motivação e impulso para dedicar o tempo, as energias e a própria vida nesse país que, até então, era desconhecido, mas que com o passar do tempo, se tornou “sua” terra de missão.

Inicialmente, Ir. Dolores e Ir. Stefanina empenharam-se em visitas às famílias. De porta em porta elas ofereciam folhetos, Bíblia e outros livros. E assim, as Filhas de São Paulo tornaram conhecida a missão paulina. Carregando pesados pacotes, malas cheias de livros, debaixo de sol e chuva, às vezes, em meio a perigos, elas, com muita alegria, saíam para o apostolado da propaganda, como chamavam, e retornavam para suas comunidades com as malas vazias, porque não havia uma pessoa que não adquirisse um livro, e recebiam o folheto oferecido pelas irmãs. Foi assim que as primeiras irmãs iniciaram a missão. Não foi nada fácil, mas o desejo de tornar Jesus Mestre conhecido e amado por todos e o amor pelas famílias e pela missão as impulsionavam.

            Em 1934, as irmãs adquiriram uma antiga tipografia e começaram a fazer as primeiras impressões de livros e mensagens. Em 08 de dezembro de 1934, foi impresso o primeiro número da revista Família Cristã, e assim, a missão paulina começou a tomar corpo e a expandir-se no Brasil. Aos poucos, jovens brasileiras sentiram-se motivadas a assumir, também, esta missão.

No Brasil, nossa missão iniciou do nada, dizia Ir. Dolores. Mas a fé na bondade e providência de Deus, a dedicação incansável e a criatividade de todas as irmãs, desde os inícios, fizeram frutificar a missão paulina e hoje estamos comemorando 91 anos de presença Paulina neste país.

Hoje, somos as continuadoras dessa linda missão, iniciada por irmãs que, para nós, representam coragem, confiança na Providência de Deus, criatividade e resiliência. A expansão da nossa missão em quase todos os Estados brasileiros e a credibilidade da nossa missão deve-se ao empenho dessas pioneiras, e também de muitas outras irmãs, colaboradores, cooperadores que continuamente assumem conosco, com coragem, fé, entusiasmo, criatividade e ousadia, a missão paulina de Viver e Comunicar Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida na cultura da comunicação.

Obrigada Ir. Dolores e Ir. Stefanina pelo pioneirismo de vocês no Brasil. Graças à coragem e ousadia de vocês, nesse mês de outubro, estamos comemorando 91 anos de presença evangelizadora no Brasil. Continuem intercedendo pela nossa missão espalhada por todo o Brasil, e principalmente pelas vocações, para que as jovens, ao sentirem o chamado de Deus em seu coração, tenham coragem de responder sim e com alegria consagrarem suas vidas nesse nobre apostolado da comunicação.

                                                                                             

Ir. Sheila Silva Araújo, fsp 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Primeira Missionária

 



“Aos 17 anos, imaginava-me no meio da floresta, procurando pessoas que nunca tinham ouvido falar de Jesus, para que eu lhes ensinasse o Catecismo. Sempre pensei que as missionárias e os missionários, como amam muito a Deus, se dedicassem à catequese, à evangelização, para que todas as pessoas O conhecessem e amassem”.

 

Assim se expressou Irmã Dolores Baldi, a primeira Irmã a sair da Itália, vindo ao Brasil “plantar” a Congregação das Filhas de São Paulo – as Irmãs Paulinas – em terras brasileiras.

Em 1929, Dolores participou de um retiro, a convite de seu pároco, onde Pe. Tiago Alberione, fundador da nova Congregação, falou sobre a vida, a espiritualidade e a missão paulinas.

“O silêncio ajudava a refletir. A graça de Deus agia em profundidade. Rezei muito e observei a vida das Irmãs. Percebi que o ambiente, mesmo durante o trabalho, tratava-se de alguma coisa muito diferente. Fiquei entusiasmada pela vida, oração e missão das Filhas de São Paulo e falei com Pe. Tiago Alberione sobre meu desejo de ser missionária. E ele foi claro e decidido: ‘Venha, ingresse o quanto antes’”.

No dia 20 de abril de 1929, com a bênção de seu pároco e com o consentimento de seus irmãos, Dolores deixou sua família e sua pequena cidade, e iniciou em Alba uma caminhada que só terminou, no Brasil, com sua morte em 1999, na realização de seu sonho missionário, na busca de seu Ideal, como Filha de São Paulo.

No final de setembro de 1931, Dolores ouviu com imensa alegria a afirmação de sua Mestra, Irmã Brígida Peron: “Você se lembra de que me disse que queria ser missionária? Pois bem, chegou a hora. Você será a primeira missionária Filha de São Paulo”. Dolores professou os votos religiosos e recebeu do Pe. Tiago – o livro do Evangelho, um crucifixo e um terço, dizendo-lhe: “Nossa Senhora das Dores, ao pé da cruz, colaborou para a salvação da humanidade. Santifica-te, e os brasileiros se santificarão”.

A vida de Irmã Dolores foi uma linda história de fé, dedicação e coragem. Jovem, 21 anos, camponesa marcada pela simplicidade, tendo apenas uma cultura de nível médio, mas amante de Deus, inteligência prática, ardor missionário envolvente, olhar profundo e voltado para o horizonte, Irmã Dolores desembarcou no porto de Santos, SP, no dia 21 de outubro de 1931. Naquele momento assumiu o Brasil como sua pátria, e cada brasileiro e brasileira como irmãos e irmã, por quem rezava diariamente, trabalhava, e a quem muito amou, por quem deu toda a sua vida, suas forças e sua inteligência.

De 1931 a 1966, Irmã Dolores esteve à frente da vida e das atividades das Filhas de São Paulo brasileiras, impulsionando, apoiando e animando cada uma. Testemunhou:

“As Paulinas brasileiras cresceram em número, em sabedoria, em obras e em entusiasmo pela missão, animadas e sustentadas pela mesma força íntima: DEUS”...

“Hoje canto um hino de louvor a Deus porque se serviu de minha pequenez e fez maravilhas, apesar de minhas limitações e faltas, e renovo o propósito de São Paulo: ‘Esquecendo-me do que fica para trás, lanço-me para o que está à frente’ (Fl 3,13)”.

  

E VOCÊ, JOVEM:

O que você sente no seu coração? Já sentiu ou sente o desejo de fazer o bem às pessoas, e servir a Deus em seus irmãos e irmãs? Que tal conhecer a Congregação onde Irmã Dolores viveu feliz durante 70 anos? Que tal arriscar e partir para uma vida onde primam os valores de oração, de missão, de entrega, de fraternidade... e de tantos outros valores que preenchem nossa vida de sentido?

É Jesus quem lhe diz: “Venha, e você verá!”.



Irmã Aparecida Matilde Alves, fsp

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Dom da Terra e Aliança com Deus: relação a partir do livro de Josué

Estamos concluindo o mês de setembro, no qual comemoramos o mês da Bíblia. A temática abordada neste período foi extraída do livro de Josué. Para melhor conhecermos este livro, trazemos aqui a relação estabelecida entre a terra, compreendida como dom de Deus garantido a partir da fidelidade do povo à Aliança com o Deus criador. Como será que esta fidelidade à Aliança com Deus poderia nos ajudar a combater as injustiças que presenciamos nos dias atuais? 
No livro de Josué, em seu discurso final e na organização da confederação das tribos, fica claro que não basta ter a Terra, mas é importante mantê-la por meio da fidelidade à Aliança estabelecida com Deus. Para isso, as relações devem ser fundamentadas no amor, na justiça, na igualdade, na fraternidade e, sobretudo, na solidariedade para com o sofrimento do irmão e da irmã. Essa unificação só será possível ao pronunciarem a fé (Js 24) e permanecerem unidos ao redor do Senhor, Deus de Israel. Assim, Js não tem o escopo de fornecer dados históricos sobre a ocupação da terra, mas seu objetivo é catequético, é teológico. 

O tema da terra é importante para nós, justamente nesse tempo no qual comemoramos os 200 anos da independência do Brasil, e também nessa realidade pós-pandêmica, se já podemos dizer assim, na qual muitos irmãos perderam suas casas, suas terras, por falta de condições de continuar pagando aluguel; por falta de políticas econômicas que ajudassem os pequenos produtores; pela morte daqueles que sustentavam a família com seu trabalho ou com sua aposentadoria e por tantos fatores que foram agravados pela pandemia. Essa temática nos remete à encíclica Laudato Si’, quando o Papa Francisco nos recorda: “hoje crentes e não crentes estão de acordo que a terra é, essencialmente, uma herança comum cujos frutos devem beneficiar a todos”.[1] Essa visão é complementada pela Carta Encíclica Fratelli tutti, ao afirmar: “nos primeiros séculos da fé cristã, vários sábios desenvolveram um sentido universal em sua reflexão sobre o destino comum dos bens criados. 

 Isso levou a pensar que, se alguém não tem o necessário para viver com dignidade, é porque outrem está se apropriando do que lhe é devido”.[2] O papa também recorda o que escrevia João Paulo II: “Deus deu a terra a todo o gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém”.[3] Talvez uma forma de aprofundar esse livro é a de refletir sobre a problemática da terra, um tema tão forte em nosso país. Por outro lado, o estudo desse livro nos recorda que é fácil acusar Deus por nossos problemas, nossos fracassos, o desafio é o de viver em “contínua conversão” e recomeçar, após a tomada de consciência de nossas infidelidades. 

 Irmã Zuleica Silvano, fsp 

 Referências: 

[1] FRANCISCO, Papa. Carta encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum. São Paulo: Paulinas, 2015. n. 93. 

[2] FRANCISCO, Carta encíclica Fratelli tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. São Paulo: Paulinas, 2020. n. 119. 

[3] SÃO JOÃO PAULO II, Papa. Carta encíclica Centesimus Annus: no centenário da Rerum Novarum. 7.ed. São Paulo: Paulinas 2008. n. 31. (Voz do Papa, 126); e FRANCISCO, Carta encíclica Fratelli tutti, n. 120.

domingo, 18 de setembro de 2022

Mês da Bíblia 2022: Livro de Josué – “O Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes” (Js 1, 9)

 



O Mês da Bíblia teve início no Brasil há mais de 50 anos e é uma atividade que ocorre todos os anos, com o objetivo de estudar um tema ou um determinado livro bíblico. O Mês da Bíblia deste ano, realizado agora em setembro, tem como tema o Livro de Josué, que foi escolhido pela CNBB com as demais instituições bíblicas. A motivação para essa escolha foi a comemoração do bicentenário da Independência do Brasil e o fato de este ser um ano de eleição. Esses eventos estão em sintonia com dois dos principais temas do Livro de Josué: a terra e o papel fundamental das lideranças.

 

Josué é o livro que narra a entrada na Terra Prometida, após a libertação da escravidão no Egito e a longa travessia pelo deserto. Esse livro não tem a pretensão de oferecer dados históricos ou baseados na Arqueologia, mas de confirmar a presença de Deus em toda a história.

 

De acordo com a irmã Zuleica Silvano, fsp, biblista do Serviço de Animação Bíblica da Paulinas (SAB) e uma das organizadoras da obra, o Livro de Josué teve um longo período de redação; provavelmente, surgiu no reinado de Josias, mas recebeu influência do período exílico e pós-exílico. O protagonista do livro, Josué, é apresentado como um modelo de líder, servindo como paradigma para as grandes lideranças da terra de Israel. Por isso, é semelhante a Moisés, dado que será seu sucessor, e ao rei Josias, considerado um rei fiel pela tradição deuteronomista.

 

Josué é capaz de unificar o povo, não por causa de sua força guerreira ou de suas capacidades bélicas, mas por confiar nas promessas de Deus e ser obediente à sua vontade. A pergunta que perpassa esse livro, se considerarmos a sua compilação no pós-exílio, é: por que perdemos a Terra Prometida para os assírios e babilônicos? Será que os outros deuses são mais potentes do que o Deus de Israel? Será que Deus nos abandonou? O autor ou os autores da tradição deuteronomista respondem de forma negativa essas duas últimas questões e reafirmam a fidelidade divina, que cumpriu sua promessa ao conceder a terra ao povo eleito, como prometera aos patriarcas e matriarcas. No entanto, conforme a Aliança firmada com Deus, para permanecer na terra, eram necessárias a fidelidade do povo e a observância aos mandamentos por parte de suas lideranças. Infelizmente, isso não ocorreu, por isso perderam a terra. De fato, o Livro de Josué ajuda o povo a tomar consciência de sua infidelidade, não para ficar se lamentando, mas para retomar a Aliança, e o anima nessa fase de reestruturação, após o exílio babilônico.

 

Tudo isso está presente na obra que lançamos: Livro de Josué – Nós serviremos ao Senhor, escrita por vários autores, biblista e professores das diversas faculdades de Teologia do Brasil. Esse livro estrutura-se em três partes. Na primeira, há uma introdução ao Livro de Josué, na qual são fornecidas informações sobre quem é Josué, quando e onde esse livro foi escrito, suas características teológicas principais, e são oferecidas chaves de leitura, dado que a pretensão desse livro não é apresentar dados arqueológicos ou historiográficos, como já mencionado, e sim ser uma catequese, para fortalecer a fé do povo. Mas, se é uma catequese, como foram as origens de Israel? Para responder a essa pergunta, dedicamos um artigo que sintetiza as várias hipóteses dessa origem, sendo ainda uma questão aberta. A segunda parte da obra lançada por Paulinas tem como escopo abordar teologicamente aspectos importantes presentes no Livro de Josué, como: a questão da terra; o ser povo, e não tribos isoladas; a Teologia da Aliança e da Retribuição; a face guerreira e violenta de Deus, que perpassa todo o Livro de Josué. Na terceira parte, analisamos exegeticamente alguns textos mais conhecidos, como a derrubada das muralhas de Jericó, ou seja, a narração de uma grande liturgia no início da ocupação da Terra Prometida; o papel fundamental da cananeia Raab, uma mulher prostituída, responsável pela sua família, que colabora na tomada da cidade de Jericó, citada nos textos rabínicos e elogiada no Antigo e no Novo Testamentos, sendo mencionada na genealogia de Jesus no Evangelho segundo Mateus. Por fim, estudamos mais de perto o discurso de despedida de Josué, nos capítulos 23 e 24, quando as tribos se reúnem e reafirmam a Aliança com Deus.

 

Com tantos detalhes ou passagens, o Livro de Josué – Nós serviremos ao Senhor pode parecer uma leitura difícil. No entanto, o livro é acessível, e os aspectos técnicos, empregados quando necessário, são devidamente explicados nas notas de rodapé. Nosso desejo, conforme afirma a organizadora da obra, é que todos possam estudar esse livro pouco conhecido, mas atual, pois traz questões pertinentes para nossa realidade, como: a problemática da distribuição da terra; a terra como dom, e não como um objeto a ser explorado; a importância de escolher bem nossas liderança e representantes, responsabilidade coletiva; e o perceber a presença amorosa de Deus, que perpassa a história bíblica e também nossa vida, nossa história.

 

 

Ir. Zuleica Silvano, fsp

sábado, 6 de agosto de 2022

“Vocação, é gritar que amor não tem fim”

 

Um dia estava lendo um livro muito famoso, letras pequenas, significados grandiosos, li uma vez e já gostei. Sabe aquele texto que você gosta e ler e reler várias vezes? Assim aconteceu comigo. Em dias de gratidão eu leio para agradecer, em dias de indecisão leio a fim de receber uma luz, há dias que simplesmente leio porque me traz paz interior.


O livro é conhecido por um significativo número de pessoas, mas, aquela passagem da escritura parece que é minha, tomei pra mim, fala comigo. Tenho que dizer que falo de certa carta enviada pelo apóstolo Paulo a comunidade de Corinto e que é está dentro do grande livro, a Bíblia. Mais especificamente me refiro ao capítulo 13 de 1 Coríntios, o sublime “Hino ao Amor”.


Naquele trecho da Sagrada Escritura encontrei um convite para trilhar pelos caminhos do amor, deixar-me envolver por um compromisso que exige renúncias, perdão, mas que no fim de tudo o fruto vale a pena e, é magnífico e pode transformar o mundo num verdadeiro lugar de fraternidade.


Deixei-me encantar por aquele texto, transformei cada palavra em projeto de vida, porque reino que sonho para este mundo precisa antes de tudo, de amor. Essa mensagem admirável “vocação é gritar que o amor não tem fim” (Jonny) entrou em minha vida pelas ondas de um pequeno rádio da minha casa e tornou-se o meu mantra diário, o meu mantra missionário, o meu mantra vocacional.


Hoje, quando olho para o mundo carente de afeto, de gestos capazes de levantar o irmão, o sentimento se aflora dentro de mim. O convite bate na porta da minha vida, que o amor precisa ser proclamado, divulgado, vivido. Todos os dias recordo uma palavra daquela carta para não esquecer, que também sou responsável pelo florescer do amor que tanto quero para o mundo.


Ir. Gizely Pinheiro, fsp



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Paulinas Recife: 65 anos fazendo história em Pernambuco com muita fé e cultura

Com o sentimento de alegria e gratidão a Deus e motivadas(os) pelo tema "Paulinas Recife: 65 anos fazendo história em Pernambuco com muita fé e cultura", no dia 28 de novembro de 2021, as Irmãs Paulinas, os colaboradores e demais membros da Família Paulina, amigos e clientes celebraram 90 anos de Missão Paulina no Brasil, 65 anos em Pernambuco e, ao mesmo tempo, recordaram o 50º aniversário da Páscoa do Bem-aventurado Tiago Alberione, Fundador da Família Paulina. A Celebração Eucarística foi presidida por Dom Antônio Fernando Saburido, osb, Arcebispo de Olinda e Recife, que expressou: “Damos graças a Deus pela presença das Irmãs Paulinas em nossa Igreja. O trabalho realizado por elas facilita o nosso encontro com Deus”. 



Nesta significativa comemoração, recordamos de forma especial as irmãs que aqui chegaram, em 28 de novembro de 1956, no Porto do Recife e começaram a missão na “terra dos coqueiros”: Ana Maria Rocca, Celeste Ghislandi, Maria Inês Mar, Gregorina, Tereza Quaino e Jesualda Liberali, a elas nossa gratidão pela doação, alegria e comprometimento com o anúncio do Evangelho aos pernambucanos e também nos estados vizinhos, através da difusão das semanas bíblicas, da Pastoral Vocacional, das formações e assessorias junto às Arquidioceses e Dioceses. Como bem nos motivava Irmã Dolores Baldi, dizendo que "Tudo é obra de Deus", ao contemplar o crescimento de nossa missão, pedimos que esta “obra de Deus” possa crescer sempre mais através da força e do anúncio do Evangelho e no envio de vocações para o apostolado da comunicação. 



Ir. Alexsandra Araujo, fsp

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Convivência vocacional na Comunidade das Irmãs Paulinas do Rio de Janeiro

A comunidade das Irmãs Paulinas do Rio de Janeiro acolheu, entre os dias 15 a 17 de outubro, as jovens Lavínia e Pâmela para participarem da convivência vocacional.



O objetivo desse encontro é proporcionar para a juventude um tempo de oração, convívio fraterno, partilha de vida e discernimento do projeto de Deus em suas vidas. 



Sabemos que as famílias são espaços onde os jovens adquirem resiliência, fé, respeito ao próximo e tantos outros valores. Nessa perspectiva, escolhemos o tema: Família - berço vocacional onde Deus se comunica. Desejamos que essa reflexão e experiência compartilhada alimente nelas os elementos essenciais para uma vida humanizada no amor.




Agradecemos a Deus pela presença de esperança, alegria e generosidade dessas jovens e pedimos a Ele que continue iluminando e fortalecendo seu caminho vocacional.

Rezemos pelas vocações.


Irmãs Paulinas 90 anos de missão no Brasil

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

EM MISSA EM APARECIDA, IRMÃS PAULINAS SÃO HOMENAGEADAS POR SEU “ARDOR BÍBLICO E A COMUNICAÇÃO QUE SALVA”

 

Em sua homilia, Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, destacou, na celebração realizada no dia 10 de outubro, que as Irmãs Paulinas são o “perfume paulino na Igreja”. 


Como não poderia deixar de ser, a comemoração dos 90 anos de presença das Irmãs Paulinas no Brasil teve seu ponto alto com a celebração de uma missa no Santuário de Aparecida, presidida por Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida (SP), realizada no último dia 10 de outubro, às 8h, com a presença de 44 Irmãs Paulinas, que já se encaminharam ao Santuário no dia anterior, para participar da novena em preparação da festa da Padroeira do Brasil. 



A celebração teve início com a procissão de entrada com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sendo carregada pela Irmã Ana Marlene Konzen, Superiora Provincial das Irmãs Paulinas. Tendo início a celebração, a proclamação das leituras e salmo ficou a cargo das irmãs Fabíola Medeiros, Helena Corazza e Renilda Formigão. As preces, por irmã Renata Sebastiana Pereira. Em sua homilia, que teve como tema a salvação, Dom Orlando Brandes destacou que “as Paulinas são o perfume paulino na Igreja”. E fez alusão ao importante papel das Paulinas na Igreja e na evangelização, dizendo: “Então, queridas Irmãs Paulinas, parabéns por nos trazer esse ardor bíblico e essa comunicação que salva e ajudarmos a nós, em nosso presbitério, nas comunidades religiosas, nas paróquias...”.Confira, na íntegra, a homilia de Dom Orlando Brandes na missa que marcou os 90 anos de presença das Paulinas no Brasil:  “Hoje, com as Irmãs Paulinas, celebramos o jubileu de 90 anos de evangelização, de Bíblia, de Paulo Apóstolo por Jesus Cristo. Ninguém, como Paulo Apóstolo, foi tão missionário, tão evangelizador, tão encantado por Jesus. ‘Ele me conquistou.’ E é assim que também aqui estamos para sermos conquistados por Cristo Jesus. A grande pergunta de hoje é ‘o que devo fazer para me salvar?’. Deus quer salvar a todos e por isso enviou seu Filho para salvar o mundo inteiro. O problema da salvação não está em Deus. O problema da salvação está em nós. Na nossa resposta positiva ao amor que salva a todos. É o convite universal da salvação. Da parte de Deus, não há condenação. Da parte de Deus, não há perdição. Da parte de Deus, só há salvação. Então, irmãos e irmãs, veio correndo ao encontro de Jesus uma pessoa apegada à riqueza. Mas, veio correndo, também buscando a salvação. Então, de joelhos, pergunta a Jesus: ‘Que devo fazer para ganhar a vida eterna?’. Jesus diz: ‘Olha meu irmão, observe os Mandamentos’. A pessoa, tão correta, disse: ‘Mestre, eu já observo os mandamentos, especialmente aqueles do amor ao próximo, na segunda tábua da Lei’. Jesus ficou impressionado com o homem, correndo, se ajoelhando e não pedindo cura, como outros que se ajoelharam pedindo cura. Este homem pede a cura maior, o remédio maior, a salvação. Porque a gente viver e se perder, meus irmãos e irmãos, que valor teria a vida, que valor teria a missa, sem a salvação, que é a vida plena ao lado de Deus, aqui e na eternidade. Então, Jesus ficou muito impressionado e olhou para os olhos daquela pessoa. Sempre os olhos de Jesus estão fixos nos nossos olhos. Deixemo-nos olhar por Jesus Salvador. Mas, Jesus vendo o que aquele homem dizia, viu que o caminho da salvação não era somente o que estava dizendo e falou? ‘Vai, vende o que tens, dá aos pobres, volte e segue-me’. O homem era muito rico e não se desapegou. É aí que está o problema: não podeis servir a Deus e ao dinheiro. E nós não sabemos muito lidar com o dinheiro. Facilmente o dinheiro governa tudo e estraga tudo. A riqueza não é um mal. Depende do jeito que nós nos tornamos ricos. E, depende do que fazemos com os bens e com as riquezas. É como esta pessoa, que já tinha a espiritualidade que cativou a Jesus, mas não conseguiu deixar a idolatria do dinheiro, ficando triste, abatido e foi embora. Quantas pessoas no mundo vão embora da Igreja, e vão embora da amizade com Jesus e viram as costas para a proposta salvadora de Deus porque não se desapegam das riquezas e se tornam um perigo. Jesus disse aos apóstolos ‘olhem, então o rico não se salva?’. Os ricos apegados, exploradores, são uma coisa, mas, para Deus, nada é impossível, pois poderão se converter como Zaqueu, que era ricaço e ladrão e se converteu. Então ainda há possibilidade de conversão para os que se desapegam dos bens, enxergam a dor dos pobres e ajudam aos pobres, adquirindo a maior riqueza e o maior tesouro. E foi isso que Pedro mostrou a nós, este outro caminho da salvação. Nós deixamos tudo, família, bens, casa e te seguimos, que salvação tens para nós? Jesus disse: ‘Vocês vão receber cem vezes mais, porque, abandonando a idolatria do dinheiro, vocês são ricos de fé, meus queridos discípulos, e ricos de fé somos nós que viemos aqui no Santuário’. Ricos de fé somos nós, que na nossa pobreza (e o pobre é rico na fé) ainda ajudamos os mais pobres. Sim, deixamos tudo, mas somos ricos de boas obras, ricos de caridade, de solidariedade, ricos da Palavra de Deus, ricos da prudência e da sabedoria, como falou a primeira leitura. Assim, então é que seguimos esse caminho de Jesus, nos caminhos dos apóstolos e dos discípulos, o caminho de salvação: orei e me foi dada a prudência. Rezei! Santo Afonso diz que ‘quem reza se salva’. Viemos a Aparecida também para nos salvar. Salvar do pecado, nos salvar de doenças, nos salvar de injustiças, mostrai-nos Jesus. E, como Maria é a Mãe do Salvador, tudo faz para a nossa salvação. Não podemos esquecer, eu vi tanta gente a pé, nem podendo andar mais, vindo homenagear Maria, fazendo penitência para alcançar a salvação. A primeira leitura nos diz para ter prudência, que é o bom senso, para que eu não tenha ídolos, agir na coerência, interpretar corretamente o que Deus quer nessa altura da minha vida. A prudência nos ajuda a chegar à vida eterna, indo pelo caminho do bem e fugindo do caminho do mal. Lembrando que Maria é conhecida como Virgem Prudentíssima. Assim, chegamos à primeira leitura, que diz que o caminho de salvação é a Palavra, que vai penetrando como uma espada em nossos pensamentos e trazendo pensamentos de salvação. São Paulo diz que o Evangelho é força de salvação. E, claro, que a Palavra vai lá dentro das nossas intenções. Qual a tua intenção ao rezar? Qual a tua intenção ao fazer o bem? E a Palavra vai nos purificando. E terminava a leitura dizendo assim: ‘Nós, no final da vida, teremos que responder à Palavra’. Olha que força salvadora é a Palavra. No fim da vida, vai ser um diálogo com a Palavra. Segui Jesus Cristo ou não segui? É a Palavra da salvação. Vamos pedir a graça desta celebração da salvação. Senão, a gente vai pegar o poder e achar que o poder salva. De jeito nenhum! O poder mal usado é a pior das desgraças da humanidade. A riqueza salva? Já vimos que não, sobre o apego à riqueza. Ah, mas a beleza salva. Depende. Se ela é vaidade e com o desprezo dos outros, a gente também se perde nos caminhos da vaidade. Então, queridas Irmãs Paulinas, Paulo Apóstolo nos encantou por Jesus Cristo, judeu, cristão, convertido, místico, profeta, missionário, encantado e entusiasmado por nosso senhor Jesus Cristo e vocês, Irmãs Paulinas, são o perfume paulino na Igreja. Dom Luciano de Almeida dizia nos retiros: ‘Vamos ler as Cartas Paulinas, para nos entusiasmarmos por Jesus Cristo’. Era assim também São Domingos, grande missionário, que dizia: ‘Vamos ler as Cartas Paulinas para sermos missionários e nos salvarmos’, porque Paulo Apóstolo dizia: ‘Eu era o primeiro pecador e fui salvo, salvo pelo sangue de Jesus, e eu vou levar essa salvação até os confins da terra’, caminhando mais de 16 mil quilômetros. Então, queridas Irmãs Paulinas, parabéns por nos trazer esse ardor bíblico e essa comunicação que salva e ajudarmos a nós, em nosso presbitério, nas comunidades religiosas, nas paróquias, antes de tudo, aprendi com a Irmã Helena (Corazza) lá em Joinville, quando ela foi lá nos dar um curso sobre Comunicação, e dizia: ‘A primeira comunicação é a interpessoal’. Não deixemos, irmãs queridas, que toda essa riqueza da comunicação digital nos afaste uns dos outros, e sejamos doutorados nos meios de comunicação e péssimos na comunicação pessoal. Deus os abençoe e o Beato Tiago Alberione de muitas vocações paulinas. ‘Amém’.” A data oficial da chegada das Irmãs Paulinas ao Brasil é 21 de outubro de 1931, quando a Irmã Dolores Baldi desembarcou no Porto de Santos (SP). No entanto, o dia 10 de outubro de 2021 coroou os 90 anos de Brasil das Paulinas com as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida em sua casa, a casa da Mãe. As Paulinas agradecem a todas e todos que fizeram parte dessa história de fé, trabalho e evangelização. E um agradecimento especial ao padre Eduardo Catalfo, reitor do Santuário de Aparecida e a todos os padres e irmãos Redentoristas e aos colaboradores pelo acolhimento. Acolher é evangelizar. 

 













Sobre Paulinas:

Referência de qualidade, ética e respeito pela diversidade cultural, Paulinas Editora está presente no Brasil desde 1931 e, ao longo de sua trajetória, vem sendo reconhecida por sua atuação com inúmeras premiações, com destaque para oito Prêmios Jabuti – o mais importante prêmio literário do Brasil, conferido pela Câmara Brasileira do Livro –, e com participação em feiras literárias internacionais. Assume como valores em sua ação: Alegria em servir; Amor à missão; Colaboração e criatividade; Comunhão e participação; Espiritualidade; Harmonia e beleza; Ética e responsabilidade social.