sábado, 2 de agosto de 2014

Entrevista com Pe. Iraildo

Estamos no mês agosto, em que celebramos as vocações. Nesta primeira semana dedicamos nossa oração aos Ministérios Ordenados. Por isso, é com muita alegria, que nossa equipe do Blog fez uma entrevista com o Pe. Iraildo, da Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos. Ele partilha conosco um pouco de sua história vocacional. Confira:
Pe. Iraldo, ssp
1.     Quando surgiu seu desejo de ser padre?
Quando eu tinha 14 anos, após o almoço de sábado, eu estava deitado na rede em casa, no interior do Ceará. Uma mensagens radiofônica me inquietou. Era um convite para um encontro vocacional. Não fui ao encontro. Mas desde aquele dia uma semente foi plantada em meu coração: o desejo de ser padre. Como catequista e animador de comunidade, esse desejo cresceu igual uma paixão.
 
 2. Por que escolheu ingressar na Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos?
Eu sempre gostei da comunicação. Na infância eu já brincava de ser jornalista e quando apreendi a ler, lia tudo quanto era jornal velho que chegava lá em casa na roça embrulhando alguma mercadoria. Não me importava que fosse notícia vencida, importava ler. Mais tarde, já morando na cidade de São Paulo, havia em minha Bíblia um cartãozinho com a Oração do Comunicador e o endereço do Centro Vocacional Paulino. Então resolvi escrever apenas por curiosidade e por que no cartãozinho estava escrito: “escreva-nos”. Foi o que fiz. Ao ser atendido pelo Serviço de Animação Vocacional fiquei impressionado com o carisma inspirado pelo Bem Aventurado Tiago Alberione – evangelizar na cultura da comunicação.
Pe. Iraildo com demais padres paulinos na Catedral da Sé em SP

 3.     Como foi o seu ingresso no seminário?

Após o período de acompanhamento, fiz um mês de estágio vocacional. Então, decidi fazer uma experiência mais profunda. Voltei para casa apenas para pegar algumas coisas pessoais e pedir as contas do trabalho. Com a graça de Deus ingressei no Seminário Paulino, em janeiro de 1999, na Cidade Paulina, SP. A vocação é como um namoro. Nasce como uma paquera, a gente se enamora, apaixona-se e, por fim, entrega-se de corpo e alma.
4.     Partilhe conosco uma experiência significativa de sua caminhada vocacional.
 O dia de minha ordenação presbiteral. A graça de Deus tocando minha existência. Deus mesmo por meio da comunidade eclesial confirmando a missão a mim confiada. Tudo é presente dele, nada é por nossos próprios méritos. Isso gera uma alegria muito profunda, inefável. E o bonito de tudo é que é uma alegria partilhada. A família, os co-irmãos, os amigos, o povo de Deus partilham do mesmo dom. Trata-se de uma alegria verdadeira que nem sabemos dizer em palavra. Essa alegria a gente apenas sente. E isso é um grande consolo que sempre devemos voltar a ele.
Fotos da ordenação
 5.   Pe. Iraildo, este ano sua congregação, dos Padres e Irmãos Paulinos, celebra 100 anos de fundação. O que esta data significa para vocês?
 Tem o significado de gratidão. Deus nos quer bem e nos quer servindo ao seu povo. É o momento de olharmos a nossa história carismática e renovarmos em nós o ardor do “primeiro amor”. Sempre na perspectiva de que a missão do Paulino é verdadeira evangelização inspirada no Evangelho de Paulo e com espírito pastoral. Nossa espiritualidade é pastoral: o apóstolo esteve sempre preocupado em “tornar-se tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo” (1Cor 9,22). Essa sensibilidade pastoral deve perpassar todo o nosso apostolado. É parte do carisma paulino “falar de tudo cristãmente” na pluralidade do mundo. Dentre as várias realidades terrenas, o carisma paulino é sensível de modo especial ao complexo fenômeno da cultura da comunicação. A comunicação constitui a razão de ser e agir do Paulino, como sentido existencial profundo. De modo que tudo o que diga respeito ao fenômeno comunicacional nos interessa. Isso justamente porque comunicação diz respeito à nossa identidade. A comunicação numa perspectiva que ultrapassa o “ter posse” das novas tecnologias, mas, além disso, faz pensar este complexo fenômeno, que para nós, constitui verdadeira evangelização. Os instrumentos e a técnica são valiosíssimos em nossa missão. Mas não produzirão efeito sem o poder de nosso corpo, de nossa voz, de nossa inteligência e criatividade, de nosso ser completo... Comunicar é nossa essência, nascemos para isso. Comemorar os 100 anos de nossa congregação é entoar o Magnificat.

Pe. Iraildo na Fapcom, onde exerce seu apostolado na Congregação
 6.     O que é ser paulino nos dias de hoje?
 É fazer a experiência do encontro íntimo e pessoal com Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Nós não comunicamos a nós mesmo, nós comunicamos o Senhor. Por isso o que fazemos não é um mero fazer, não é uma profissão apenas. É uma missão divina. Somos apóstolos da boa notícia num mundo que geralmente lucra com a desgraça. O desafio do Paulino é buscar ser profundo, ter conteúdo numa realidade rasa e líquida. Assim como o apóstolo Paulo, o que deve nos mover é a paixão pelo evangelho, que não é uma ideia. É uma pessoa!
 
 7.     Deixa uma mensagem aos jovens que também desejam seguir Jesus mais de perto, seja no sacerdócio ou na Vida Religiosa. 
Jovem, você é chamado a fazer a diferença hoje. Ser Paulino é uma aventura fascinante e desafiadora. Somos uma família: a Família Paulina, que a exemplo do apóstolo Paulo vive e comunica o evangelho. A cultura da comunicação nos oferece muitas possibilidades de tornar Jesus Cristo conhecido e amado. Não tenha medo de fazer o encontro profundo com ele. Debruce-se no conhecimento do apóstolo Paulo e se entregue sem reserva como Maria Rainha dos apóstolos ao serviço da Palavra. O Espírito Santo nos impele na missão.  Ser Paulino é cultivar a esperança de um mundo novo. Este caminho vale a pena!

 
Fotos: Cedidas pelo Pe. Iraildo

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