sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Soneto de Natal






















Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

(Machado de Assis)
 Organização: João Leonel

Este soneto e muitos outros poemas e reflexões sobre o Natal se encontram neste novo livro da Editora Paulinas.  (Conheça o livro)





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