terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alguém me quis aqui

 
*Por Pe. Zezinho, scj 

 Leia e aprofunde esta reflexão. É difícil crer, sem passar por esta decisão de valorizar Deus como o Grande Outro de quem vieram todos os outros e entre eles o meu e o seu pequeno eu.
Um grande outro, a quem chamo "DEUS", nos criou a todos, e graças a Ele podemos dizer EU SOU, porque Ele foi o primeiro que usou esta expressão e continuará a usá-la eternamente. Por causa Dele, também nós poderemos dizer que somos enquanto existirmos.
Eu sou quem sou é expressão muito mais profunda do que se possa imaginar. Afirma-nos como ser no meio de outros seres, mas nos torna mais do que cópias ou números. Nunca ninguém será eu, assim como eu jamais serei o que o outro é. No máximo serei como ele é.
Tudo começou com o ser que é, porque o Ser que É QUEM É resolveu um dia me criar e colocou-me aqui, neste tempo, nesta era, nesta hora, desses pais, com esses irmãos e nesse país para que eu seja! Não o fez por acaso.
Quis criar mais um ser pensante e mais uma vida preciosa e me quis feliz.
Nasci para ser feliz porque Deus não cria ninguém para ser infeliz.
É meu primeiro chamado.
Nasci para fazer os outros felizes...
É meu segundo chamado.
Cada um de nós precisa descobrir como ser feliz e como fazer alguém feliz, pelo amor, pela convivência, pelo trabalho, pela profissão, pela palavra, pelos gestos, pela fé, pela cultura e por tudo o que pode facilitar a vida do meu irmão.
Se sei fritar ovos e fazer pastéis posso resolver o problema de muita gente. É um jeito de me realizar.
Se faço curativo no pé do meu amigo é outro jeito.
Se carrego a cruz com ele, outro jeito.
Se entendo de remédio, se opero, se limpo as ruas, se preparo carne, se planto verdura, se dou aulas, se fabrico brinquedos, se faço pão, tudo faz parte da minha missão de ser feliz, fazendo o que faço, e com isso, ajudar o meu irmão a ser feliz.
Não há como escapar a essa verdade.
Nasci para ser feliz e fazer os outros felizes.
Minha religião pode me ajudar nisso.
Tenho o exemplo de milhares de santos que conseguiram.
Tenho os ensinamentos da minha comunidade de fé.
Tenho a Bíblia. E o que é mais importante: tenho Jesus, porque de fazer alguém feliz, ele é quem mais entende!  Sem esta mística andaremos pela vida como quem vai a uma feira com milhares de pessoas e esbarra em milhares delas sem sequer dizer um oi, tchau, bom dia, paz a você. Tocamos sem tocar, olhamos sem olhar, notamos sem notar, passamos sem passar.
Vivemos a solidão de uma ilha. Os outros terão que vir a nós, porque nós não sabemos ir aos outros.  O verbo é ir... Quem não vai ao outro corre o risco de não saber porque veio a este mundo. Alguém nos quis aqui! E os verbos desse envio são: ser para os outros, amar os outros e ir aos outros! Sem isso, corremos o risco de virarmos ilhas.
Sem o outro, nosso eu perde o seu sentido!

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