terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Fui conquistada pela sua bondade"


Testemunho de Ir. M. Irene Conti, fsp

 
Ir. Tecla Merlo
Conheci M. Tecla em circunstâncias extraordinárias.
Tinha apenas nove anos e meu pai, com a morte de minha mãe, queria confiar-me às irmãs de São Paulo que haviam aberto uma casa em Susa (Itália). Por um erro, na carta do pedido apareceu que eu tinha 19 anos, em vez de 9, e grande foi a maravilha quando Ir. Tecla se viu diante de uma menina. Para a comunidade de Susa eu era pequena demais. Por isso, Mestra Tecla, pesarosamente disse ao meu pai que não podia aceitar-me. Meu pai, porém, respondeu que, sem a esposa, não saberia como cuidar de mim. Mestra Tecla se comoveu e pensou em fazer uma exceção, declarando, no entanto, que antes deveria pedir autorização ao Fundador, o  TeólogoAlberione.
Daquele dia em diante, M. Tecla me quis tanto bem que praticamente se tornou uma mãe para mim. Eu, porém, era muito tímida e muito agarrada ao meu pai. M. Tecla me consolava e fazia de tudo para que eu ficasse contente.

Dada às minhas insistências e ao meu choro, no Natal de 1922 meu irmão veio buscar-me. Isso desagradou Mestra Tecla, pois ela temia que eu não voltasse mais e, na partida, me saudou com tanto afeto e bondade, dando-me doces de presente e dizendo que deixaria guardados os dons que o Menino Jesus deixaria para mim em Susa. A sua bondade, assim, já me havia conquistado.
Em 1924, a comunidade de Susa foi transferida para Alba. Nós, que éramos as menores, nos perguntávamos com ansiedade, quem seria a nossa superiora, e todas esperávamos que fosse M. Tecla, tendo já experimentado a sua sapiente bondade materna. Assim aconteceu para grande alegria de todas.

Mestra Tecla era para nós modelo de profunda humildade. Recordo estes dois fatos particulares. A comunidade de Alba aumentava e, na mesma proporção, cresciam as dificuldades. Muitas vezes havia casos que preocupavam, porque em uma ocasião, enquanto a comunidade estava no refeitório, M. Tecla se levantou e pediu perdão a todos pelos seus maus exemplos, dizendo-se culpada pelo não recebimento das graças divinas. Repetiu esse mesmo gesto no dia de seu onomástico.
Esses atos de humildade profunda e sincera, produziram em nós o desejo de sermos, também, humildes como ela.
O seu coração materno sempre providenciava as coisas de que  necessitávamos. Lembro-me que muitas vezes verificou minhas roupas para certificar-se de que não me faltava nada. Seguidamente M. Tecla me perguntava como eu estava e me exortava a ser boa para contentar o Senhor e também a minha mãe, que do céu me via e me protegia.
Quando terminou a segunda guerra mundial, as missionárias começaram a partir.
Eu fui enviada ao Japão. Eu desejava isso há muito tempo, mas sentia a minha incapacidade e despreparo. Manifestei os meus temores a M. Tecla, e ela me encorajou e exortou a confiar muito no Senhor. Falou-me com tanta fé que suas palavras me tranquilizaram totalmente.

O Senhor cumpriu grandes coisas em M. Tecla porque grande era a sua fé e ilimitada a sua confiança nele. Tinha uma visão maravilhosamente aberta e um coração grande como o mundo. Queria chegar a todos, usar os meios mais potentes e eficazes para atrair tanta gente para o Senhor, era aberta a todos os problemas do tempo, conhecia os sinais dos tempos, pelos quais preocurava adequar-se com novos meios de apostolado para poder fazer maior bem.
A última visita que fez ao Japão deixou uma recordação indelével, porque ela sentia que seria o último encontro conosco e manifestou isso a algumas irmãs. Os últimos momentos foram comoventes. Todas ao seu redor, queríamos beijar-lhe a mão e receber a sua bênção. Subindo no avião, deteve-se no último degrau da escada para saudar-nos e ver-nos o mais longamente possível. Esses últimos instantes nos fizeram sentir sempre mais seu coração materno, no qual era guardado o seu ilimitado e ardente desejo de que todas nós correspondêssemos à vocação religiosa paulina, que é vocação à santidade.

Ir. M. Irene Conti, fsp
  
 Pedidos de graças
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00163 Roma.

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