domingo, 18 de novembro de 2012

Espiritualidade do(a) catequista

*A Igreja existe para evangelizar: esta é a graça e a vocação própria. Mas a vocação do catequista, assim como todo ministério, nasce de uma necessidade da comunidade eclesial, a de favorecer a maturidade da fé e o crescimento da Igreja, para que ela possa desempenhar sua missão: “fazer discípulos” (Mt 28,19).
 
A pessoa do catequista
Para que a Igreja tenha condições de cumprir esta missão, ela se empenha na formação e educação da fé dos seus próprios membros. Para isso ela elaborou um “método” chamado catequese para fazer ressoar o primeiro anúncio e habilitar os seus membros, maduros na fé e na adesão a Jesus, para a missão. Este método de educação da fé de crianças, jovens e adultos é desenvolvido de “maneira orgânica e sistemática com o fim de iniciá-los na plenitude da vida cristã”.
Na preocupação de formar os seus catequistas, a Igreja deve ter uma atenção especial à pessoa do catequista: antes de cuidar do fazer do catequista, deve se preocupar com o ser do catequista. Isso porque “o serviço do catequista se fundamenta, antes de tudo, sobre o ‘ser’, porque é em nível do ‘ser’, quer dizer, da pessoa do catequista, que se realiza a primeira e mais importante comunicação catequética”. Assim como “A Igreja faz catequese por aquilo que ela é”, também a comunidade deve se preocupar com o ser, com a pessoa do catequista.
 
A identidade do catequista
Como conclusão, podemos dizer que a pessoa do catequista apresenta os seguintes elementos de sua identidade que brotam da sua vocação de educador dentro da Igreja:
● o catequista é um vocacionado, e sua vocação não é fruto de iniciativa própria, mas sim suscitada por Deus e reconhecida e instituída pela Igreja, que tem a responsabilidade de discernir os carismas;
● o catequista é servidor da Palavra; a ela é subordinado e a ela deve obediência. Falando da vocação e missão do catequista, vimos como São Paulo, em 1Cor 12,28, associa o ministério dos mestres ao dos Apóstolos e Profetas, que são ligados à Palavra, e é por isso que estão em primeiro lugar entre os dons e carismas. Os ministérios ligados à Palavra dentro da Igreja são vários, mas o catequista o exerce de maneira particular, pois ele entra em contato com a vida e a própria pessoa dos destinatários. O catequista nunca poderia formar seguidores autênticos da Palavra, se dela não se alimentasse e a vivesse.
● O catequista é educador, aquele que “conduz” os próprios membros da comunidade, e esta educação diz respeito a todas as dimensões da vida cristã. Ele é que suscita discípulos para Jesus, aquele que conduz pela mão ao encontro de Jesus.
● O catequista é mensageiro de Jesus Cristo e, nesta tarefa, anuncia o mistério pascal de proclamar aos irmãos que Jesus é o Salvador, e educa a encontrá-lo e a vivê-lo em cada situação da vida.

 
Tudo isso exige do catequista uma atenção toda especial a sua vida espiritual; ele deve ter:
● um cuidado amoroso com sua vida interior;
● uma escuta perseverante da Palavra de Deus, através da leitura e meditação cotidianas;
● espírito de oração para intensificar a sua comunhão com o Mestre;
● uma vida sacramental nutrida pela Eucaristia e pela Reconciliação;
● um adequado conhecimento da Palavra de Deus;
● um amor filial pela Igreja que o chamou;
● a capacidade de escutar e de dialogar.
 
*VICENTE FRISULLO. Discípulos catequistas. São Paulo: Paulinas, 2011, cap. IV. É presbítero da Ordem da Santíssima Trindade, missionário no Brasil desde 1979; professor de Teologia dos Sacramentos na Faculdade Paulo VI, em Mogi das Cruzes – SP; assessor de Catequese e pároco na Diocese de São Miguel Paulista, em São Paulo – SP.

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