quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Prometi sempre dizer: SIM

Vamos conhecer um pouco da experiência missionária da Ir. Catarina Boff. Hoje, ela já tem 57 anos de vida religiosa Paulina e reside na comunidade da Cidade Regina, em São Paulo. Os frutos de sua fidelidade são resultados da semente lançada quando fez seus primeiros votos e assumiu a convicção de sempre dizer SIM, assim como já vivia em sua casa, pois jamais negava qualquer coisa que a sua mãe lhe pedisse.



O primeiro envio que recebeu para ir em terras distantes foi quando já tinha 60 anos. Foi enviada para Moçambique, na África. A princípio, somente por 8 meses, para substituir uma irmã. O que não aconteceu, pois ficou 7 anos. Confira o que ela nos conta dessa expêriencia:

"Morei lá na época em que o país estava em guerra. Era muito triste, haviam muitas crianças passando fome. Muitas vezes nós compramos um pouco mais de farinha para oferecer as famílias. Mas, minha experiência foi bonita em todos os sentidos. Sentia-me bem com as pessoas, fui catequista e preparei grupos para o batismo. Participei também de um grupo vocacional do qual um seminarista ficou padre. A livraria começou no conjunto da casa dos bispos, depois conseguimos um prédio com dois andares, embaixo era a livraria e, em cima, uma biblioteca pública, na qual os jovens podiam fazer consultas. Quando vim embora fiquei com muita saudade."

Quando Ir. Catarina retornou, ficou mais um tempo no Brasil e, para sua surpresa, recebeu um novo convite, um pouco mais desafiador: começar uma comunidade na Angola. Ela já tinha 70 anos, por isso a Superiora Geral lhe escreveu dizendo que a enviava como Santa Isabel que gerou um filho na velhice. E de fato, nessa experiência se confirma aquelas palavras do anjo Gabriel a Maria: “Para Deus nada é impossível”(Lc 1, 37 ). Nesse país ela permaneceu por dez anos.

“A Superiora Geral me fez o pedido de ir para Angola por que Ir. Maria de Carli, uma italiana, havia feito uma promessa. Ela teve um câncer muito agressivo e prometeu que se ficasse boa iria começar uma comunidade na Angola, atendendo um pedido antigo dos bispos de lá por uma livraria. Então, quando ela ficou boa, pediu a superiora que eu fosse com ela para começar essa missão e fui chamada.” Conta Ir. Catarina.

Essas duas irmãs chegaram na Angola sem nada. Alugaram uma casinha para ficar um mês, mas não tinham nada para colocar dentro. Algumas irmãs Salesianas as ajudaram nos primeiros dias com mantimentos e utensílios. A primeira preocupação, que deram um jeito logo, foi conseguir um espaço para a livraria.

Ir Catarina relata um pouco do que viveu lá:

“Fui catequista por um tempo e mantinha muita amizade com os jovens que iam em nossa casa fazer encontros. Começamos também a fazer a Leitura Orante da Palavra com um grupo, projeto que perdura até hoje. Visitamos todas as famílias do nosso bairro, as cadeias, os hospitais, as escolas....”


O despreendimento de si e a disponibilidade são virtudes esenciais para colocar na mala de um missionário, como aprova a experiência da Ir. Catarina:

“Eu fui lá sem nada. Disposta a aprender deles e fazer como eles. Muita coisa era diferente de nossos costumes, por exemplo, na família todos os parentes são considerados irmãos. É assim que eles foram criados. Mas, é um povo muito dócil, muito bom, é um povo místico. Eles rezam muito, conservam o silêncio, celebram com a vida. Por mim eu tinha ficado lá até a morte.”



De um coração disponível, depois desses 17 anos com o povo africano, brota a gratidão:

“Só tenho que agradecer a Deus por essa experiência. Estive em dois países e fiz o que eu mais gosto: estar com as pessoas e poder ajudá-las. Hoje, eu rezo muito por eles, especialmente pedindo vocações.”

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