quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma Irmã Paulina da Venezuela conta sua história


Para o Encontro do SAL (Serviço Apostólico Latinoamericano) vieram ao Brasil várias irmãs Paulinas de todo o continente americano. Na Casa de Oração, aqui em São Paulo – SP, ouvia-se resoar vários idiomas: português, espanhol, inglês e italiano e, por incrível que pareça, havia entendimento, se não das palavras, ao menos dos gestos de acolhida, estima e carinho pelo contato com irmãs que vivem em outras terras o mesmo carisma, a mesma espiritualidade e a mesma missão.
A Ir. Milagros Miranda participava do encontro e concedeu uma entrevista para o nosso blog. Partilhando com você um pouco de sua experiência vocacional.
Ela é natural de Porto Rico, professou os primeiros votos religiosos na congregação no ano de 1983 aqui no Brasil, onde viveu mais de três anos para completar a formação inicial: postulado e noviciado. Ela mora, hoje, na Venezuela e é a superiora delegada da circunscrição do Caribe, que compreende os países: Venezuela, Porto Rico e República Dominicana. Essa circunscrição tem 32 irmãs, divididas em comunidades de sete ou oito irmãs.

1. Ir. Milagros conte-nos como sentiu o desejo de ser freira.
Entre meus 15 e 17 anos sentia a vocação, mas era algo que não enfrentava, pois achava que era impossível acontecer. Logo esqueci essa possibilidade. Um tempo depois aconteceu uma reviravolta em minha vida, por que eu estava noiva há três anos, com projeto de casar-me, mas quando terminei a faculdade no mês de maio, em julho meu noivado se acabou. Vivi uma crise terrível. Não queria saber nem de Deus, meu horizonte se fechou. Depois disso, fui convidada para trabalhar na livraria da universidade e sinto que Deus me queria trabalhando nessa livraria, apesar de ser uma área oposta a qual havia me formado (Ciências, com a intenção de seguir para a Nutrição). O diretor dessa livraria era um diácono permanente que havia sido frei Capuchinho. Ele começou então a me ajudar, com um acompanhamento espiritual, no qual pude integrar bem a minha crise do final do noivado. Assim, percebi que o acontecido, foi uma página de minha vida e, apesar de gostar muito desse meu noivo, descobri que o Senhor me queria para Ele. Foram seis meses de acompanhamento, de busca do que Deus queria para mim, até que descobri vocação religiosa, mas tinha muitas dúvidas quanto ao carisma e a congregação, conheci várias. Gostava muito das carmelitas, mas não da vida em clausura. Conheci outras congregações de espiritualidade carmelitana, visitei as Filhas da caridade de São Vicente de Paulo, pois gostava muito das missões. Mas ainda não era isso que eu queria. Eu não gostava de dar catequese, nem de dar aulas, nem de cuidar dos doentes. Então, me perguntou o diácono certa vez, do que eu gostava afinal? Eu respondi: “gosto dessa livraria, o que me encanta é isto, a livraria, os livros, atender as pessoas, para mim isso é muito mais do que um serviço”. Ele esclareceu-me: “pois já tem a congregação, as Irmãs Paulinas”. E eu nem havia pensado nelas. Logo o diácono me colocou em contato com as irmãs já em vista de um acompanhamento. Porém, foi tudo muito rápido, pois eu já tinha uma vida espiritual e já era bem acompanhada. Desse contato em setembro, entrei na congregação em janeiro. Eu já me identificava e gostava muito da missão das Irmãs Paulinas, mas quando fui à capela da comunidade pela primeira vez, vi o sacrário, acabei de ser conquistada. Daquilo que encontrei na comunidade, uma vida de oração sólida, um ambiente familiar e acolhedor, tive a clareza que era ali que o Senhor me queria. Depois de pouco tempo vim fazer a formação aqui no Brasil. Sempre fui muito grata a tudo que recebi e por isso pedi para professar os votos aqui, em agradecimento às irmãs, mesmo que minha família não tivesse gostado. Depois disso fiquei 18 anos sem retornar ao Brasil.  

2. E sua família te apoiou quando tomou a decisão de sair de casa para seguir a vocação religiosa?
No início eles não aceitaram muito, principalmente a minha mãe, por que sou a única filha mulher e a mais velha, depois tenho dois irmãos, e a relação com minha mãe era muito próxima. Também, por que eles achavam que a minha decisão de ser freira era por desilusão amorosa. Minha mãe sofreu muito quando saí de casa e mais ainda por eu morar em outro país. Desses 32 anos na congregação, apenas 5 deles vivi em Porto Rico, sempre estive fora. Só quando eu fiz os votos perpétuos, a minha mãe ficou tranqüila e contente. Há seis anos, meu pai me disse que estava muito contente, por que a noite quando fechava os olhos e pensava nos seus filhos seu coração estava tranquilo, mas, quando pensava em mim, ele sentia muita paz por que eu estava com o Senhor. Às vezes eles ficam com ciúmes das irmãs, pois percebem que eu gosto muito delas, porém eu acho bom que percebam isso, por que a congregação é a minha família, e é como quando alguém se casa e passa a amar e dedicar-se inteiramente a sua família, sua esposa e filhos.

3. Para você, qual o maior desafio da missão Paulina, de anunciar o Evangelho com os meios de comunicação, hoje?
Sinto duas coisas. Uma, entre nós, Paulinas, é o desafio de trabalhar em equipe, por que os projetos são grandes e interdisciplinares e uma pessoa sozinha não consegue. Outro desafio é a rapidez da tecnologia digital hoje. Nossas decisões são um pouco lentas ou nossos meios econômicos não permitem. Tenho essa angustia apostólica, de ter muito que fazer e ter uma realidade de poucas pessoas e poucas possibilidades econômicas. É um sofrimento. O maior desafio são as novas tecnologias que são rápidas e instáveis. Porém, tenho uma convicção: o primeiro meio de comunicação somos nós mesmas, essa é a mística de nossa missão. Toda irmã Paulina, mesmo sem estudo e sem preparação, comunica a pessoa de Jesus, com seu testemunho. É o dom do carisma e da consagração religiosa Paulina.

4. Sua maior alegria de ser Paulina.
Tenho um orgulho muito grande de ser Paulina, por que é um dom, um carisma muito atual e que nunca morre, por que a comunicação nunca morre. Comunicamos com o corpo, com a palavra, com a música. É um carisma que nunca morrerá, os meios poderão passar, mas não a comunicação. Cada vez descubro que Deus me chama desde o seio materno para ser Paulina e me dá o dom para responder a essa missão.
 5. Seu maior sonho

Tenho um sonho de nível apostólico, que é estarmos em todas as tecnologias que se abrem. E outro, mais profundo, é o de maior unidade e comunhão entre nós, Filhas de São Paulo, assim como acontece nesses encontros, nos quais tomamos consciência que precisamos estar unidas e dar testemunho para evangelizar.

6. Uma palavra às jovens que sentem-se chamadas por Jesus para segui-lo mais de per como irmã Paulina.
Não tenham medo, sempre repito isso. Não tenham medo de achegar-se ao Senhor, de escutar ao Senhor e de responder ao chamado.

Agradecemos a Jesus Mestre pelo chamado e as graças que deu a Ir. Milagros para ser apóstola da comunicação, ser irmã Paulina!

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