terça-feira, 10 de agosto de 2010

22 anos de consagração

FUI EVANGELIZADA

“Sou Irmã Ivonete Kurten de Ivaiporã (PR). Lembro-me do dia em que saí da casa de meus pais para ingressar no convento. Tudo novo, muitas experiências, alegrias, medo... Mas dei o primeiro passo, motivada pelo grande e imenso desejo de ser missionária de Jesus.
E Deus atendeu minhas preces. O primeiro envio que recebi foi para Belém (PA). Para mim, terra distante e missionária. E com esse espírito, convivi com o povo paraense. Fui levar Jesus? Evangelizar? Não! Sinto que acima de tudo recebi Jesus e fui evangelizada. Para exemplificar, vou contar um fato entre tantos. Em meados de 1989, um padre me convidou para ir a sua paróquia, na cidade de São Domingos do Capim, interior do Pará, ministrar um curso de comunicação. Viajei a noite inteira até Marabá, depois mais meio dia para chegar à comunidade. Lugar muito simples. Na chegada, um fato me chamou a atenção: não tinha energia elétrica de rede, só de gerador. As pessoas se encontravam na praça a tarde para ouvir músicas e notícias, pois havia poucos aparelhos de rádio na cidade. Essa reunião comunitária já me tocou bastante. Fui visitar as famílias. Casas de chão batido. Num casebre, muito pobre economicamente, encontrei um grande tesouro de fidelidade. Um senhor que vigiava, cuidava de sua esposa gravemente enferma. Ele olhando para mim com seus olhos fortes e envelhecidos e, certamente, vendo minha admiração, disse: “Irmã, eu prometi ser fiel na saúde e na doença e aqui estou”. Meu coração silenciou... No outro dia, teve início o curso com o tema: A comunicação de Jesus. Na hora do almoço, dona Maria Rosa fez de tudo para chegar até onde eu estava e dizer que também era comunicadora como Jesus: “Irmã, sou analfabeta mas anuncio a Palavra de Deus em minha comunidade.” Fiquei admirada! Logo pensei: Como será que ela faz, se não sabe ler? E foi aí que tive uma das mais belas experiências da Palavra anunciada através da vida. Explicou-me que durante a semana, pedia, num dia, à sua neta que estava aprendendo a ler, para proclamar o Evangelho do Domingo, no outro ela meditava em seu coração a Palavra, assim sucessivamente em todos os dias da semana. No domingo, depois de proclamada a Palavra por um leitor, partilhava com a comunidade o que tinha vivenciado da Palavra durante a semana. A partir daquele dia a minha vida religiosa Paulina ganhou mais sentido e simplicidade. E dessa forma, nesses 22 anos, Jesus revelou, em mim, o seu chamado e a minha missão. Agradeço a Ele por que me chama a dar visibilidade ao que Ele faz na vida de cada pessoa e no mundo através da comunicação."

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